31.3.15

Emigrar | A tomada de decisão



Mudar nunca é fácil e isso é válido quer para quando estamos a falar de mudar os nossos hábitos alimentares por exemplo quer para quando estamos a falar de mudar de residência e ou de país. Mudar nunca é um processo fácil, mesmo que mudar seja a única solução em vista. Por este motivo quero começar o inicio destas publicações acerca da emigração e de como é viver no Reino Unido exactamente por aqui, isto é, pelo início dos inícios. Refiro-me ao processo de tomada de decisão.

Conheço pessoas que durante anos foram dizendo que gostavam de ir viver para fora de Portugal. Que gostavam de ir viver para a Austrália, Estados Unidos da América, Suécia e até Noruega e no entanto nunca de Portugal saíram. Depois conheço outras que nunca pensaram verdadeiramente em sair e que nunca demonstraram qualquer interesse nisso e mesmo assim mudaram-se em pouco mais de um mês para outro país só porque surgiu uma oportunidade repentina e irrecusável.  

São vários os factores que podem levar alguém a mudar de país. Actualmente é a precariedade de emprego o motivo principal que conduz a que uma grande parte dos jovens e não jovens Portugueses procurarem uma nova vida lá fora. Para outros é a busca de novos saberes, novas oportunidades e novos desafios e uma cultura diferente da que conhecem que os levam a partir para um novo país. Independentemente do motivo que vos possa levar a pensar numa possível mudança de país existem factores que deverão ter em conta antes de decidirem o que quer que seja. Acredito que os factores a ter em conta dependam de pessoa para pessoa porque aquilo que na altura me pareceu importante pensar e repensar poderá revelar-se secundário para outrem. No entanto, penso que existem dois factores que todos aqueles que um dia ponderem ou que já estejam a ponderar emigrar deverão ter em conta. Estes consistem em responder a duas perguntas: porquê que querem emigrar e se estão dispostos a viver com o facto de que haverá alturas em que não estarão imediatamente presentes e ao lado da vossa família. Falo de momentos extraordinários e dignos de comemoração imediata e de momentos de pura infelicidade.  

Quando me mudei para Inglaterra e apesar de não ter vindo sozinha, pois vim com o meu namorado, houve momentos em que ainda assim me senti sozinha. Houve momentos em que me apetecia o abraço dos meus pais e que não o pude receber; houve momentos em que me apetecia combinar um café com os meus amigos e não o pude fazer; houve momentos em que queria ter amigos e simplesmente não os tinha nem os conseguia fazer (verdade seja dita: ainda não tenho nenhum amigo a sério por aqui); houve muitos aniversários a que faltei; houve momentos importantes na vida de familiares em que eu não pude estar presente e apesar de me ter preparado psicologicamente para tudo isso antes de partir a verdade é que ainda hoje não estou preparada para metade das coisas que tenho perdido.


É altamente provável que não consigam ir a Portugal a quantidade de vezes que gostariam assim como é altamente provável que não estejam presentes em alturas extraordinárias e em alturas menos boas. Mudar não é fácil e não é um processo todo ele cor-de-rosa, mas também não é o fácil que nos faz crescer como pessoa nem é o fácil que nos torna mais fortes e se há coisas que se vão perdendo há outras que se vão ganhando. Mudar pode não ser fácil e pode ser assustador, mas mudar também pode ser entusiasmante. Resta saber se depois de ponderados todos os prós e contras estão preparados para levar a cabo toda a aventura inerente ao acto de emigrar.  

11 comentários :

  1. Sempre disse que iria emigrar e continuo a dizer que é o meu objetivo, mas assim como sei que tanto posso mudar de país como ficar em Portugal, também sei que, se realmente emigrar, vai ser muito complicado principalmente no início. Sempre fui aquela pessoa que por iniciativa própria faz certos sacrifícios que me levam a adaptar à mudança em passos mais pequenos (por exemplo, no 12º mudei de escola para me obrigar a ser mais independente, de maneira a que a entrada na faculdade não custasse tanto), e embora isso ajude, estar longe da família vai custar sempre. Principalmente quando sou tão próxima de toda a gente. Mas é como tu dizes, perdemos umas coisas e ganhamos outras. Há que arriscar, ir à procura do desconhecido, ver o que resulta e o que não resulta :)

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  2. Eu nunca pensei seriamente sobre o assunto. Não acho que serei uma pessoa fácil de se convencer para sair daqui, mas às vezes nós surpreendemo-nos a nós próprias. O meu irmão emigrou e resolveu isso de um momento para o outro... E eu, como assisti a tudo o que a minha mãe passou e ainda passa (porque ele ainda não teve oportunidade de cá vir e já lá vão dois anos) não sei se seria capaz de a deixar ainda pior. São assuntos que de certa forma me deixam um bocado a pensar... Pode ser que um dia me surja uma oportunidade irrecusável fora daqui, mas se aparecer uma igualmente boa por cá, não troco o meu país. E digo-te: admiro-te a ti, ao meu irmão e a todas as pessoas que tiveram coragem de dar esse grande passo na vida :)

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  3. Eu quando tomei a decisão tinha pensado nisso e mesmo assim quero arriscar.. Acho que se não o fizer vou ter um grande "what if" na minha vida

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  4. Sempre disse que não pertenço aqui. Não é que este país não seja para mim, mas não me conformo com a ideia de ficar toda a minha vida no mesmo local. Quero conhecer o mundo e experienciar o máximo que conseguir no tempo que tenho e isso implica viver fora, sair. A parte de não estar a 15 minutos da família e amigos em qualquer eventualidade em que precisem de mim é, realmente, o que mais me assusta e que me coloca mais reticente em relação ao assunto. Deve ser o único motivo que me faria pensar duas ou três vezes antes de me meter num avião para Nova Iorque, mas acho que, se tivesse que fazer uma escolha rápida, acabaria por embarcar. Estou ansiosa por ler o resto dos teus posts, continua! Beijinhos :)

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  5. Quando escolhi a área em que me licenciei soube que, à partida, a minha única solução seria emigrar pois o desemprego jovem em Portugal está mau mas na minha área está ainda pior! Neste momento estou a tentar criar uma empresa inovadora, tirar partido do facto da minha área ser desconhecida por este país, no entanto tenho já enviado alguns currículos para o estrangeiro... Se a empresa correr mal terei de sair mesmo :s

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  6. Muito sinceramente não me vejo a emigrar!! Desde que entrei na faculdade que o meu pai anda a abrir caminho na minha cabeça nesse sentido. Que o devo pensar como uma hipotese mas a não ser que seja mesmo necessário não me vejo a fazê-lo!

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    1. r. As pessoas que vinham comigo de vez em quando paravam para tirar fotografias e eu nem olhava para trás para saber deles só queria atravessar e pronto ahahah xD

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  7. Reparei nesta tua rubrica relacionada com a emigração e não resisti, tive de vir ler. Eu quando era mais nova pensava em viver fora de Portugal. Pensava em passar uma temporada fora, fosse para estudar ou para ter experiência de trabalho noutros sítios. Hoje em dia percebo que infelizmente é possível que seja obrigada a sair, não por um curto período e não por livre e espontânea vontade, mas por necessidade. É o que mais me aborrece nesta nova forma de emigração, é que (como disseste) são cada vez mais os que saem por necessidade que por vontade. E isso torna o processo bem mais complicado e mais custoso. Não me imagino longe da minha família por muito tempo e só de pensar que posso vir a ser obrigada a sair para arranjar um trabalho digno faz-me confusão. É um mundo novo, não conhecemos ninguém, estamos longe de todos os que nos são próximos. Quando isso é por pouco tempo e por vontade, a coisa até se aguenta, agora quando é porque "tem de ser"... enfim. Boa rubrica esta :)

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  8. Desde a adolescência que quis viver fora por uns tempos, agora estou na Suécia há 7 anos e sem perspectivas de voltar. Não imaginava que ia ser tão difícil, mas é uma aventura e acredito que compensa. Boa sorte para vocês. Beijinho

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